domingo, 7 de agosto de 2011

A latrina


Não têm dinheiro pr’o vale
Nos correios de Portugal
Mas nada se consta corra mal
Neste canto d’Europa, o quintal

A isenção da taxa moderadora
Dizem-me que já está no cartão
Mas afinal dizem-me que não
Não chegou o papel da doutora

Neste pequeno canto europeu
Enorme fedor já não se aguenta
Têm que mandar cá a inspecção

Isto não parece quintal, digo eu
Parece mais uma latrina sebenta
Promovam já uma desinfecção.

sábado, 6 de agosto de 2011

Descartáveis


O amanhã faz-nos caminhar
O ontem é que nos empurrou
O hoje quase que nos matou
Futuro haveremos de abraçar

Ele existem futuros e futuros
Alguns tudo têm nada sentem
Os que nada têm não mentem
Levam empurrões muito duros

Assim os audazes são forjados
Por força de muito cambalear
São por certo mais capacitados

Mas apontados por questionar
Na sociedade de pré formatados
Serão certamente para descartar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pílula da felicidade


Vendo a pílula da felicidade
Que promete prazer sem fim
Gentes tristes vinde até mim
Voltai felizes sem ansiedade

Há embalagens de cinquenta
Algumas são comparticipadas
Para as que são mais puxadas
Há unidoses, a bolsa aguenta

Comprai já antes que esgote
Não percais esta oportunidade
Felicidade mesmo comprada

Não há tristeza que a derrote,
Pr’a semana surge a novidade
Vamos ter felicidade injectada.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Oposição não


O deus máximo é o dinheiro
Ninguém se lhe consegue opôr
Gostava então de vos propôr
Porque não cooperar primeiro

Esta tremenda insaciedade
Pelo lucro até mais não
Vai provocar a implosão
Desta nossa sociedade

Abandonemos esta competição
Que só nos aporta destruição
Construamos o novo dia

Sem direito à oposição
Onde todos em cooperação
Alcancemos a harmonia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Low cost


Sai uma bombinha low cost
Pr’aquele senhor ali do canto
E mesmo que ele não goste
Se o governo manda, pronto

E abastecemos alegremente
Nosso dia a dia com patetices
Quem nos governa não mente
Destapa dos outros as aldrabices

Low cost os despedimentos
A TSU também vai minguar
E não quero ouvir lamentos

Pois andaram a gastar demais
Agora vão ter que amargurar
Low cost pr’á digestão, os sais.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O meu iate


O meu iate é maior que o teu
Eu sou o maior da minha rua
Ninguém é mais rico do que eu
Minha mansão é maior qu’a tua

Sou dono da dívida soberana
Desse teu pequeníssimo país
Sim é uma situação desumana
Mas dançam como sempre quis

Eu sou o dono da orquestra
Sou o dono do piano de cauda
Maestro faz parte da equipagem

Tudo isto constitui a trave mestra
Dum sistema que não me defrauda
Onde todos me prestam vassalagem.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Diamantes


Esqueça a marca BPN
E o seu dinheiro também
Nós somos gente de bem
E gostamos de higiene

Dinheirinho já foi lavado
Nos novos cofres vai entrar
Pois não há que enganar
Poderia estar contaminado

Com dinheiro fresco assim
Entre países da lusofonia
Ficará tudo como dantes

Já tínhamos ouro e marfim
Isto é de facto uma alegria
Celebremos com diamantes.