quarta-feira, 19 de outubro de 2011

General


Esta é a greve do general
Furriel não está de acordo
O soldado vai passar mal
Sargento está mais gordo

Não há dinheiro pr’o soldo
Todos ralham sem razão
Sentem-se à sombra do toldo
E roam as côdeas do pão

Não esperem dias melhores
Esta é a curva descendente
Do futuro há muito prometido

Na demência haverá piores
Dias de esperança ausente
Duma guerra sem sentido.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Burro


Houve um dia a perestroika
Noutro caiu o muro em Berlim
Agora enfiam-nos a troika
E acham que isto fica assim

Mas constroem tantos muros
Para a divisão não ter fim
E acham que somos burros
E eu também acho que sim

E de tanto o burro carregar
Sem cenoura pr’a o motivar
Já não anda mais o burro

Só lhe dá para escoicear
Não sei como irá terminar
Mas cheira um pouco a esturro.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Conjuntura


O inferno já está a arder
Alguns ir-se-ão queimar
E no céu está a chover
Outros ir-se-ão molhar

Os que ficam molhados
Podem ir ao inferno secar
Os que ficam queimados
Vão ao céu pr’a s’enchacar

Os que atearam as chamas
Ficam aqui no purgatório
Molhar e queimar é que não

Entre muitas tricas e tramas
Treinam o seu dom oratório
Das chamas aguardam extinção.

domingo, 16 de outubro de 2011

Fuzilamento


Não há lugar ao lamento
Porque tudo vale a pena
Se a dívida não é pequena
Deves aproveitar o momento

Decretas um ajustamento
E ajustas todo este pessoal
Que nem andava a viver mal
Mas era muito o rendimento

Agora é preciso trabalhar
Mais uma boa meia horita
A ver se o país arrebita

E se ele teimar em afundar
Terá que ser outra a receita
Pr’a nos livrarmos da maleita.

sábado, 15 de outubro de 2011

Alucinação


E o povo saiu à rua
Mas a rua não estava
Pensava que era sua
Mas muito se enganava

E o povo ficou parado
À espera de uma decisão
E por momentos calado
Até que disse que não

Vamos pr’a rua de novo
Mas já não seremos povo
Seremos uma alucinação

Quem pensa que tudo pode
Verá quando o povo explode
Seu sangue espalhado no chão.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Execute-se


O próximo orçamento
Será difícil de executar
Não há lugar ao lamento
Alemanha vai-nos ajudar

Por via-férrea vai seguir
Numa carruagem mercante
Um pijama às riscas vestir
Não usará desodorizante

Seu cabelo será rapado
Fará todo o trabalho forçado
Não mais dormirá descansado

E no dia que lhe fôr destinado
Numa câmara será encerrado
Orçamento morrerá gaseado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A cura


Com olhos de vampiros
Deve ser por nos sugar
De nada valem suspiros
Aqui ou noutro lugar

É das agruras e do lodo
Agora nascem os dentes
Para sugar o sangue todo
Assim não ficamos doentes

Que um morto não adoece
Também não chateia muito
Nem sequer morre da cura

E os vampiros não aborrece
Que renascer será fortuito
Após tamanha secura.