sábado, 14 de janeiro de 2012

Os bardos


Dizer-lhes que têm classe
É coisa que eu não faria
Nem que a burra zurrasse
Daí abaixo eu não caia

Que fiquem engarrafados
É sorte mais que a pedida
Que nós pr’aqui ignorados
Somos seu seguro de vida

Mas pr’a eles somos fardo
Não mostram a sagacidade
Desta apólice preservar

Somos tal qual aquele bardo
Expressava sua musicalidade
Pr’a nas trombas sempre levar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Génios d'Assembleia


Vendo que nada acontece
Eu proponho uma solução
Se luz dos génios enfraquece
Que se faça a transformação

São novamente colocados
Nas lâmpadas do Aladino
N’areia do deserto enterrados
Não sendo este o seu destino

É uma segunda oportunidade
Pois aí terão a possibilidade
De meditar sem perturbação

Que a grande responsabilidade
De conduzir a nossa sociedade
Exige uma outra motivação.

Pastel


Exportar pastéis de nata
É o futuro desta nação
Pr’ó paladar uma serenata
No estrangeiro apreciarão

E nós o país dos pastéis
E dos brilhantes idiotas
Também temos moscatéis
Temos porcos e bolotas

Temos a melhor alfarroba
Doce de figo conventual
Já não falo do pão de rala

Vamos exportar um’arroba
Sr. ministro não leve a mal
Mas porque não se cala?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Hiena


Não há almoços grátis
E saúde também não
Não julgues quem o diz
A senhora não fala em vão

Quis parar a democracia
Por seis mesitos apenas
Mas penso que ela queria
Voltar ao tempo das hienas

Com maxilares poderosos
Devoram as suas presas
Sem dó nem piedade sentir

Almoços grátis são numerosos
Nós pagamos as despesas
E as hienas terminam a rir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O animal


O facebook na verdade
Não transforma ninguém
É o espelho da sociedade
Cada um sabe ao que vem

É uma realidade virtual
Mas não tapa os humanos
São os seus gestos tal qual
Que não haja desenganos

Virtual não gera o mal
Nem o bem vem do real
Ambos nascem no animal

Que se considera racional
E numa atitude visceral
Se transforma em irracional.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sociedade secreta


A minha sociedade secreta
Não anda nas bocas do povo
Usa a administração directa
O que não é nada de novo

Dinheiro público é gerido
Com colossal seriedade
E sem um grande alarido
Pois é secreta a sociedade

Está isenta de corrupção
Aqui ninguém causa dano
Nem existe culpabilização

O primeiro artigo dos estatutos
“Sabemos que roubar é humano,
só aceitamos membros astutos”.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tolerância e diversidade


Eu estou em bicos de pés
Tolerância venho ensinar
Acabo às vinte pr’ás dez
Façam favor de se calar

Eu sou muito tolerante
E respeito a diversidade
Já sabem daqui em diante
O que eu disser é a verdade

Querida chefe foi de férias
Não há quem mereça mais
Que viva a chefe querida

Dizer o contrário são lérias
Chefe pertence aos imortais
Uma estátua verá erguida.